quarta-feira, 5 de março de 2014

Capítulo 4 - A chegada triunfal


Capítulo 4 - A chegada triunfal

MEREDITH

- Mas isso não é algo bom? - Meredith perguntou.
  Leo olhou divertido para a morena.
- Nada que importe. Acho que agora devemos sair do Argos II e ir para o Acampamento, ouvir as reclamações do Sr. D e blá blá blá. Lá, vocês serão reclamados e aí vai ser só alegria!
- Aprecio as suas palavras gentis, Leo, mas, creio que seria melhor você ficar de boca fechada. - Jason disse atrás de Leo.
Em questão de segundos, todos os olhares do barco se voltaram para o menino. Afinal, ele tinha sumido durante muito tempo e aparecera do nada.
- Onde você estava, cara? - Eric perguntou confuso.
- Tive que dar uma saída. Fui no Acampamento Júpiter, juntamente com Nico, conversamos com a Reyna. Consegui a permissão dela para trazer alguns romanos para o meio-sangue. - respondeu a pergunta.
Leo se virou para Jason, com um sorriso que precedia uma piadinha, entretanto, um olhar tenso. 
- Sua intenção é lotar o Acampamento?! Já está entupido de gente por lá, ainda temos mais esses e você realmente quer trazer mais gente?
- Ei, nós temos nome! - Eric disse com um olhar ameaçador.
- Se não nos querem aqui teremos o maior prazer de nos mandar de volta para as nossas casas. Até porque...
- Não queríamos estar aqui. - Michelle respondeu.
- Vocês... Entenderam errado! - Leo disse sem graça. - Eu quis dizer que já está cheio de pessoas no novo lar de vocês e talvez isso os incomode. Não que vocês, de fato, sejam o incômodo.
- Acredite, dentre todas as coisas, a quantidade de pessoas não será nada. - Meredith encarou Leo com uma seriedade que o deixou sem graça.
- Eu vou pegar minhas coisas e fingir que essa discussão nunca aconteceu. - Eric manteve seus olhos fixos em Meredith, que desviou seu olhar para Leo novamente. - Sugiro que façam o mesmo.
  Em silêncio absoluto, todos foram em seus quartos, pegaram suas bagagens e desceram do navio. Não tiveram uma visão muito ampla na primeira vez que bateram os olhos no Acampamento Meio-Sangue, pois uma multidão os cercava. Haviam no mínimo 30 campistas naquele meio, de variadas idades. O mais novo aparentava ter uns 9 anos, enquanto o mais velho parecia já ter seus 20 anos. Todos, sem exceção, vestiam camisetas laranjas. Dois gêmeos logo se aproximaram, ambos carregando um sorriso malicioso no rosto. Meredith não os considerou ameaçadores em nenhum momento.
  - Carne nova no pedaço! - falou o gêmeo à direita. - Parabéns, Valdez! Conseguiu voltar sem destruir o Argo II! É um milagre!
- O casco do navio, na verdade, foi danificado. - Meredith sorriu torto.
Di immortalis, ela sabe como sacanear uma pessoa! - apontou o da esquerda. - Meu nome é Connor Stoll.
- E meu nome é Travis Stoll. Somos, nós dois, obviamente, filhos de Hermes. Se precisar de qualquer coisa é só falar conosco. - Travis analisou. - Olha só, eles não tem doze anos. 
- Você é meio lerdo. - Michelle brincou.
- Por que diachos ainda não foram reclamados? - Connor perguntou. - Os deuses não costumam se atrasar.
- O que diabos é ser reclamado? - Eric perguntou enquanto cruzava os braços.
- É quando seu pai ou mãe assume sua maternidade ou paternidade. - Michelle respondeu.
Meredith ficou surpresa ao descobrir naquele momento que sua melhor amiga já sabia algumas coisas sobre o novo mundo.
- Qual seu nome, garotinha? - Travis se aproximou da garota.
- Michelle Overcast. E, nunca mais me chame de garotinha se não quiser ficar com 32 dentes negativos. - ameaçou.
- Mas é o número exato de dentes que uma pessoa tem. - Travis disse pensativo.
Ou ele era burro ou se fazia de burro, Meredith concluiu.
- Pois é. - Michelle balançou a cabeça.
- Por Hermes! Gostei de você! Deveriam andar com a gente. - Connor exclamou com um sorriso enorme.
- Dane-se. Só quero que minha mãe me reclame de uma vez. - Michelle bufou.
- Sua mãe acabou de reclamá-la. - disse uma garota no fundo da multidão.
Ela tinha cabelos loiros, ondulados e olhos cinzas. Sua atitude era superior, como se todos ao seu redor fossem débeis ou algo do tipo. Meredith sentiu antipatia aguda pela garota de olhos cinzas. Meredith olhou para Michelle e percebeu que a amiga exalava uma luz verde, que vinha de cima de sua cabeça. Era uma imagem translúcida de uma tiara dourada que flutuava acima da cabeça dela.
- Parabéns, Michelle! Sua mãe atendeu seu pedido! - Travis explicou.
-Você é uma legítima filha de Hécate! -  Connor disse sem aquele tom brincalhão de antes.
- Hécate? Que deusa é essa? - Michelle perguntou tentando encostar na tiara.
- Deusa da magia, das encruzilhadas e da névoa... - Nico deixou vago no ar.
- É, bem assim. - a menina encarou Nico como se ele tivesse algum tipo de doença. - Leo! Leve a Michelle para um tourzinho pelo Acampamento. Apresente-a a seus irmãos do chalé 20. E, pelo amor dos Deuses, não tente nada inapropriado.
- Ok. - Leo falou.
Um pouco antes de Leo e Michelle saírem para o chalé 20, ou brilho dourado começou a cintilar atrás de Meredith. Ela se virou, e a primeira coisa que viu foi um brilho tão dourado que teve que fechar os olhos. Emanava calor. Seria aquilo o Sol? Não, não era possível. Abriu os olhos e encarou a fonte do brilho dourado: uma aljava dourada lotada de flechas que flutuava acima da cabeça de Eric. O garoto ainda parecia atordoado com toda a luz e atenção que estava recebendo, e mantinha uma expressão de raiva nas sobrancelhas, Meredith pôde notar.
- Você... Foi... - Meredith disse em pausa, ainda acostumando seus olhos ao brilho excessivo. - Reclamado.
- Não, não posso crer! Você, filho de Apolo? - a garota dos olhos cinzas perguntou. - Algo de estranho está acontecendo. Tudo bem, só não cause nenhum problema.
- Acho que ele não está interessado em causar problemas. - uma voz ecoou pela cabeça da morena.
Oh, não. A voz era dela. Mas que diabos?! De onde aquela vontade de enfrentar a garota saiu do nada? Eric franzia as sobrancelhas loiras em direção a menina morena. 
- Ah, que saco! - a garota revirou os olhos. - Não tenho tempo para novatos! Connor, chame o Percy para fazer o tour com essa intrometida?
- Sim, Annabeth. - Connor disse animado.
Ao contrário de Connor, Annabeth não demonstrou nenhuma emoção sem ser nojo. Agarrou o pulso de Eric e o puxou Acampamento à dentro. Meredith não conseguia parar de reparar no contraste de altura entre Eric e Annabeth. Em poucos minutos ela ficara sozinha. 
Um pequeno tempo depois, um menino de cabelos pretos e olhos verdes se aproximou da garota.
- Você provavelmente é a Meredith. - o menino sorriu.
Dentes perfeitamente brancos. Que pecado.
- Em carne e osso. - ela abriu os braços em conformação. 
Ele sorriu novamente.
- Vai ser um prazer te mostrar seu novo lar. Meu nome é Percy, bem vinda ao Acampamento Meio-Sangue e está pronta para o "tour"? - fez aspas com as mãos.
- Podemos dizer que sim.
 Sorriu levemente para Percy e os dois começaram a andar pelo Acampamento.
- Ali são os chalés. - disse Percy, apontando para os tais chalés, que se distribuíam em formato de ômega. - Na esquerda temos o pavilhão de refeições e os banheiros.
 Havia muito movimento no centro da formação em ômega.
- Esse é o chalé de Hermes. - apontou para o chalé atrás de si, de pintura descascada e um caduceu acima da porta. - Como pode ver, é uma confusão só. Além dos filhos de Hermes, os semideuses que ainda não foram reclamados passam suas noites aqui. Hermes acolhe a todos.
- Interessante. - admitiu.
Para um deus, realmente era algo interessante.
- Relaxe, não vai ter que ficar por aí durante muito tempo.
Andaram mais para a frente e ele percebeu que a área começava a ficar maior. Desde de a primeira vista na descida do Argo II, o Acampamento Meio-Sangue só crescia. Percy apontou para a direita.
- Logo ali fica a Arena, lugar onde nos reunimos de vez em quando para lutar. Mais para o lado é a Forja. Atrás da Forja ficam o Arsenal e o Estábulo. Se gostar de pégasos vai amar o Estábulo.
- Pégasos?! - Meredith aumentou o tom da voz involuntariamente. Controlou sua animação. - Parece incrível.
- É mesmo. - Percy deu de ombros.
Ele agia como se pégasos fossem tão normais quanto cachorros.
- Ali ficam os campos de morango. O Acampamento tira seu sustento dele.
Continuaram seu caminho e Percy mostrou-a a parede de escalada e de longe ela pode ver a praia dos fogos de artifício. O anfiteatro, a quadra de vôlei, a sala de artes e o lago de canoagem. Mostrou também o pinheiro mais alto, que quebrava o contraste da colina, e contou a história que o cercava, que, Meredith achou no mínimo excêntrica. Na sombra da árvore repousava um dragão.
 O Acampamento Meio-Sangue parecia ter saído de um sonho. Aqueles sonhos que são tão bons que você chega a acreditar que eles realmente aconteceram.
- Agora vamos à Casa Grande buscar uma blusa pra você. - Percy disse.
-Certo. - Meredith concordou sorridente.
 Andaram até uma casa realmente grande. Devia possuir uns quatro andares, ela não conseguiu vê-la por inteiro devido a luz do Sol, e era pintada de azul céu e detalhes brancos.
Percy andou até a porta e fez um gesto com a mão para que ela o seguisse. Ao entrar, Meredith ficou boquiaberta mais uma vez, era uma sala ampla com uma escada no final do lado direito. Havia um quadro com informações e algumas imagens. Um tocador de discos bem antigo que estava perto de uma cabeça de leopardo.
    Sentado atrás de uma das mesas estava sentado um homem gorducho, baixo, que usava uma blusa de estampa havaiana, surpreendentemente chamativa. Seus cabelos eram uma mistura de preto ao início do grisalho e ele tinha as bochechas avantajadas e vermelhas, como se algo o irritasse. Segurava uma latinha de Coca Diet e parecia realmente entretido com o que fazia, isto era, nada.
 Percy pigarreou e conseguiu atrair a imagem do homem para os dois.
- Ah, olá, Peter. - disse o homem sem emoção. - É um grande desprazer reencontrá-lo.
- Meu nome é Percy, senhor.
O homem arqueou suas sobrancelhas volumosas.
- Tanto faz.
- Bem, senhor D., esta é a Meredith. - ele apontou para a morena
 O Sr. D a encarou por alguns segundos. Não fingia nenhum interesse. 
- Olá, Melanie. 
 Antes de tentar corrigi-lo, olhou para Percy, que mexeu a cabeça em sinal negativo, e ela chegou a conclusão que escutar seu guia era mais produtivo do que tomar suas próprias atitudes, como sempre fazia. E se dava mal em todas elas.
- Bom, senhor. - Percy começou. - Ela precisa de uma camiseta.
- Estão na última gaveta do armário.
- Ah, sim. - Percy disse. - E, a propósito, aonde está Quíron?
- Deve estar treinando os meio-sangues. Afinal, aquele velho centauro precisa trabalhar. - Senhor D. respondeu com rapidez.
    Meredith arqueou as sobrancelhas enquanto Percy se dirigia ao armário. Ela tapou a boca com a mão esquerda, para segurar a risada que estava chegando. Obviamente, não funcionou.
- Centauro? - ela riu com nervosismo. - Quer dizer que tudo aquilo é verdade?
  Senhor D. franziu o cenho e a fitou.
- Mas é claro! - ele colocou a latinha em cima da mesa. - Com quem acha que está falando?
- Com o diretor do Acampamento. - ela disse com um tom óbvio.
- Bem, sou isso também. - ele ponderou. - Mas também sou o deus do vinho! Das festas! E de outras coisas também. Sabe o que isso significa?
- Significa que eu estou na frente do cara que estudei sobre na 5ª série. - ela disse. - Dionísio.
- É isso aí! Infelizmente, por agora, estou preso nesse lugar horroroso. - Dionísio pegou novamente a latinha. - Não se animem, pois eu pretendo transformar as suas vidas em um Tártaro. 
- Já foi o suficiente por hoje. - Percy deu um sorriso amarelo. - Me desculpe, Senhor D., mas, agora, nós temos que nos encontrar com o resto do pessoal novo. O senhor sabe como é.
- Não, não sei, Perry. Vão encontrar com os semideuses recém chegados? -perguntou o deus, demonstrando estar mais interessado do que esteve em séculos.
- Sim, senhor. - Percy respondeu enquanto parava de andar.
- Então devem se encontrar com a nova menina. Uma ruivinha... Como é mesmo o nome dela? Ah, sim, Michelle! Diga que eu a convidei para jogar pinochle comigo e com Quíron qualquer dia desses. Ela é uma meio-sangue divertida. Que estão olhando? Vão embora daqui!
Saíram rápido da Casa Grande. Meredith não entendia muito bem o que tinha acontecido, afinal, Dionísio mal a conhecia e resolvia odiá-la. Por um lado ela se sentiu perturbada pela ideia de possuir o ódio de um deus, mas, por outro, o compreendia. Em geral, as pessoas costumavam tirar conclusões precipitadas sobre ela: ou a amavam, ou a odiavam. Não existiam meios termos, tudo era sempre nos extremos com ela, segundo sua mãe. Porém, Dionísio parecia interessado em Michelle. Enquanto Meredith assimilava as coisas, Percy parecia entrar em um ataque cardíaco ao seu lado. 
- Ele a chamou de divertida, cara! Ele nunca achou nenhum meio-sangue divertido!
- Percy, eu já entendi. - ela tentou acalmá-lo. - Quem sabe ele só esteja no meio de um bom dia. 
- Talvez seja isso mesmo. - Meredith suspirou aliviada. - Vamos logo que eles devem estar nos esperando. E ainda temos que passar no arsenal e ir no chalé 12 para que você troque de roupa.
- Então vamos antes que Dionísio dê um ataque.
  Correram até um galpão, onde Mel pôde testemunhar uma quantidade absurda de armas, que deliciou seus olhos.
- Então, tem alguma preferência? Temos lanças, adagas, espadas... - Percy perguntou.
   Percy tinha uma naturalidade tão grande para falar sobre armas. Parecia que estava perguntando para um filho qual hambúrguer do McDonald's ele queria, Mel concluiu.
- Eu posso ter uma espada? - ela perguntou com animação.
- Ora, pode!
Ela andou de vagar, examinando todas as armas que haviam naquele galpão. Não demorou muito para ela fixar seu olhar na escolhida. Era uma espada feita inteiramente de bronze. 
- Eu quero essa.
- Eu não gosto muito dessa arma. - ele coçou a cabeça. - Pertenceu a Anteu, um irmão mal, digamos. Ela se chama palírroia, que significa...
- Maré. - Mel terminou a frase do garoto.
- Sim. - ele sorriu.
- É ela que eu quero.
- Ok. Vamos, você ainda tem que vestir a blusa do Acampamento.
- Tudo bem. Ei, me ajuda! É assim que se coloca essa coisa?!
Percy riu.
- Não é assim. - ele riu de novo. - Você prende esse fecho no seu cinto. Se não tiver um cinto temos alguns aqui.
- Ah, pode deixar. - e conseguiu colocá-la na bainha de seu cinto.
  Depois de vestir a blusa, ela se encarou no espelho sujo do chalé 12. Tinha cabelos levemente ondulados e pretos, olhos azuis como os de sua mãe, um rosto meio redondo, e lábios variados: o de cima mais fino e o de baixo mais carnudo. Nunca se achou parecida com sua mãe, exceto por seus olhos azuis, que eram idênticos. Percy a tirou de seus devaneios quando a chamou para se encontrar com os outros. Ao chegar, todos já reunidos, Meredith contou para quem pudesse ouvir tudo que tinha visto e o que tinha gostado. E, é claro, o que não tinha gostado.
- Mel, todos nós fizemos esse mesmo tour, então, quer calar a boca e escutar o que os outros tem a dizer?
- Obrigada pela gentileza. - ela disse irônica, seguindo com um riso.
  O tempo parecia não passar para todos que estavam ali naquela noite. Um dos melhores dias de muitos que estavam ali.
Mal sabiam eles que seria o último dia que ririam juntos como se não houvessem perigos no mundo.
Na fogueira, todos dançavam e comiam diversos alimentos. Meredith comia uma deliciosa macarronada. Connor e Travis eram ótimas companhias, apesar de terem a horrível mania de roubar as coisas dos outros. Ela olhou para o lado e viu Eric, Leo e Jason sentados na mesma mesa. Eric mastigava um hambúrguer e ria das palhaçadas de Leo.
-Mel. - Michelle a chamou.
- Que foi?
- Me diz, você acha que é filha de qual deus? - Michelle a encarou com seus olhos dourados.
- Ah, eu não sei. Quem sabe Hermes, ou talvez Hefesto. Mas, para ser sincera, tenho certeza que meu pai não é Dionísio. O cara mal me conhece e já me odeia.
Michelle riu.
- Acho que eu não deveria chamar um deus de "cara", não é? - ela perguntou e Michelle gargalhou.
- Ele é um cara divertido, eu gostei da sua companhia. Sou mais ele do que meus irmãos do chalé. São terríveis. Queria esmurrar um por um.
- Ah, é! Ainda tem isso! Me conte sobre cada um deles. Quero saber de seus irmãozinhos, você, que adora irmãos. - disse sendo sarcástica.
- Oh, cale a boca. - Michelle disse. - O conselheiro do chalé, de cabelos castanhos e olhos verdes, se chama Anthony. Isabella, uma garota de cabelos negros, olhos ligeiramente rosados, que eu tive antipatia aguda. Tem dois gêmeos com os mesmos cabelos e olhos de Anthony, que se chamam Elizabeth e Arthur. Galen, um garoto negro com olhos verdes. Temos o Filéas, um albino. Se a minha memória não me prega peças, tem um menino chamado Bianor, de cabelos loiros enrolados e olhos castanhos. Lou Ellen, uma menina de cabelos castanhos avermelhados e olhos verdes. E, por fim, uma garota pequenina chamada Yolanda, que tem os olhos mais lindos que eu já vi na vida. Eles são cor de âmbar, e os cabelos dela são castanhos escuros e enrolados.

Meredith ouviu tudo que a amiga teve para dizer, em silêncio, apenas concordando com a cabeça. Por um lado, amava ver Michelle animada com alguma coisa, mas, por outro, estava muito cansada e realmente precisava dormir. O problema era que quando ela precisava dormir, ficava mais sem paciência, mais grossa e mais impulsiva. O que, em geral, não dava certo.
  - Mas, o que eu realmente quero saber, é quem é o seu pai.
- Michelle! Pare! - falou alto. - Quem sabe isso não seja uma enorme confusão? Talvez eu nem seja uma semideusa! Posso até ser um grande erro.

A menina pensou por um leve momento que tinha exagerado, pois, a música havia parado e todos a encaravam, inclusive Michelle, que estava boquiaberta.
- Sim, senhorita Astrapi. Você, definitivamente, é um grande erro. 
O homem tinha a aparência de um homem normal, mas, abaixo das pernas, tinha o corpo de um cavalo. Ela assimilou os fatos rápido. Aquele era Quíron, o centauro que Dionísio havia falado. É agora, pensou. Vou ser expulsa do Acampamento.
Quíron se ajoelhou na frente da menina, que achou tudo aquilo muito estranho.
- Ave Meredith Astropi, filha de Poseidon! - ele falou em alto e bom som.
A menina olhou para cima e viu que um tridente flutuava acima de sua cabeça, cintilando em luz azul e verde água.
Era filha de Poseidon.
Era filha do deus do mar.
Era irmã de Percy Jackson.

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