quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Capítulo 1 - Descobertas nem tão agradáveis

Fire


Sinopse:


  Michelle Overcast é uma garota problemática. Entretanto, sempre teve tudo o que quis. Mas, agora, ela terá que lidar com todos os desafios de ser uma semideusa. Logo após de ser reclamada, coisas terríveis começam a acontecer com ela e com as pessoas ao seu redor. A situação se complica quando Michelle se alia ao inimigo, que está cada vez mais forte, traindo sua "família". Em Fire, Acampamento Meio-Sangue e Acampamento Júpiter se aliam contra uma ameaça enorme, e isso os levará a aprender que jamais se deve subestimar os filhos de deuses menores. 


"Oh, you know, I saw a city burning. 
Fire. 
Feel the heat upon my skin. 
Fire."

Capítulo 1 - Descobertas nem tão agradáveis


Coloquem para tocar: Walk - Foo Fighters

MICHELLE

 Após uma manhã com discussões, detenção, reencontros e despedidas, Michelle deveria estar louca. Mas, decidiu, apenas, aceitar a verdade.
  Ela soube desde o momento em que decidiu que não iria fazer a aula de educação física que estava encrencada. 
  E, por um infortúnio, o professor Dylan notou essa decisão.
- Overcast, você é obrigada a fazer a aula se quiser ter seus...
  Ela o interrompeu.
- Dylan, você sabe que não pode me obrigar a fazer a sua patética aula. Eu sou incapaz de fazer o que eu não quero, entendeu? Pelo seu bem, devolva meu celular e podemos deixar passar a sua obsessão com uma pobre ruiva com TDH. Temos um acordo?
  Dylan ficou sem palavras. Ele era muito bom nisso. 
- Michelle Overcast, você está perdendo a razão. - resmungou. - Não que a tivesse antes. 
  Michelle encarou o chão, revirando os olhos ao mesmo tempo.
- Você é louco. - murmurou.
- O que disse, encrenqueira? Me ofender obviamente ajuda você a expressar seus sentimentos reprimidos. 
  Ela se segurava para não explodir de raiva. 
- Espere, me ajuda?! Só se for para ficar com hematomas espalhados pelo rosto! E advinha de quem é a culpa? Do nosso querido professor e suas adoráveis partidas de queimada! Caso você seja surdo, eu disse que você é LOUCO! - ela gritou
  E, de repente, todos pararam o que estavam fazendo para assistir a discussão. 
- Overcast, saia da minha quadra. AGORA! - Dylan disse tentando assumir o controle da situação
- Ah, muito bem! - ela sorriu em orgulho e se dirigiu a saída 
Porém, antes que pudesse sair, o professor pegou seu braço.
- Aonde pensa que vai? - o professor perguntou com um sorriso no canto da boca.
Eca.
- Para a arquibancada. - disse com obviedade. - Se esqueceu que me expulsou da quadra? - perguntou com deboche
- Eu de fato a expulsei. - ele disse calmo. - Mas o que eu quis dizer é: vá para a direção. E não: fique e observe seus colegas jogarem. 
- Primeiro, eu não ia observar eles jogando. Eu ia torcer para o time menos pior. Segundo, eles- ela disse apontando para o grupo de alunos. - Não são meus colegas. Terceiro, você não pode fazer isso. 
- Overcast, eu tanto posso quanto fiz. - ele riu. - Vá logo antes que você se ferre mais. 
- Sabe que é injustiça! - ela gritou em fúria.
- A vida é injusta. - o professor disse em sussurro
  Detestava ficar sem palavras. Detestava ir para o diretor e escutar seu sermão idiota sobre coisas que não fariam a mínima diferença em sua vida. E, por acaso, era isso que estava acontecendo naquele momento infeliz. 
- Ora, Michelle. Oitava vez em uma semana. - o diretor alisou o bigode. - Estou impressionado.
- Que tenho haver com isso? 
- Sua postura com o professor Dylan foram terrivelmente erradas. Sabe-se que ele é um dos professores mais qualificados do internato...
Foi interrompido. 
- Tenho certeza de que se eu não fosse problemática não estaria nesse inferno.
Ácida.
- Não deveria ter dito isso, mocinha!
- Me deixe em paz!
- Detenção, JÁ! 
  E dessa forma, foi para a detenção, de novo. A sala não tinha ar condicionado, o que tornava a temperatura desagradável, a sala fedia a queijo podre e ela ficou lá durante quatro horas.  Assim que saiu, a garota se deparou com um homem com as mãos na cabeça, seu pai, ela reconheceu. Ele não estava com a aparência de alguém que tinha ganhado um prêmio de melhor ator, o que era verdade. Se aproximou em silêncio pois não queria que a atenção de seu pai se voltasse para ela.
- Por que você disse aquelas coisas para seu professor e para o diretor?
- O professor estava tentando me fazer jogar. O diretor estava enchendo a minha paciência. Você sabe que eu não gosto dessas coisas! Ah, sim! Você não sabe, afinal, você nunca sabe. E eu sei porquê: me jogou num internato porque estava ocupado demais trabalhando em seu filme para dar atenção para a filha!
- Não precisa de lembrar-me disso, Michelle. - ele disse a repreendendo. - Vamos para casa. - ele disse autoritário, deixando claro que o assunto estava encerrado.
  Ela queria continuar a discutir, mas não queria discutir com seu pai.
  No carro de seu pai, este continuava a evitar a conversa, mas logo esse silêncio foi quebrado pela voz do mesmo.
- Minha querida, pensei em darmos um passeio hoje em Hollywood. Tudo bem para você?
- Gostei da ideia do passeio - admitiu Michelle. - Mas, vamos para onde?
- Que tal o letreiro?
- De acordo.
  O pai estendeu a mão e a filha apertou calorosamente. O trajeto seguiu-se em silencio.
  Ao chegar, Michelle se sentiu surpresa com a linda mansão que deliciava seus olhos.
- Deve ser impressão minha - começou. - Mas eu tenho certeza que esse lugar fica a cada ano mais maravilhoso.
- Isso depende muito do seu referencial, querida.
- Pai, você é esquisito. 
- Sei disso. Escuto muito essas palavras.
  E assim ambos explodiram em gargalhadas.
  Pararam o carro e entregaram-no para um chofer, que o estacionou em algum lugar da enorme garagem. E, juntos, pai e filha entraram em casa.
  Feche os olhos e imagine uma casa com 18 quartos, uma sala de jantar decorada com uma linda cascata artificial, 15 banheiros de luxo, uma piscina de água aquecida no subsolo, duas piscinas no meio do jardim - uma com água normal e outra com água salgada - , um jardim do tamanho de um campo de futebol americano com todos os tipos de flores tropicais que se pode catalogar, no centro do jardim um grande lago particular, repleto de cisnes. E, perto do lago, há uma cachoeira. E, além dessas maravilhas, existir muito mais. Desse jeito era a casa de Charles Overcast e sua filha Michelle.
  Michelle se apressou para entrar em seu quarto, que por acaso era o espaçoso sótão, e se surpreendeu. Seu quarto estava exatamente como o deixou, há um ano atrás, antes de ir para a Academia para Crianças e Adolescentes Difíceis - mais conhecida como ACAD - , exceto por uma coisa: sua escrivaninha. Estava repleta de flores de maio azuis, suas favoritas. Depois de admirá-las, desceu e foi comer.
  Depois de comer foi para seu quarto e trocou de roupa. Vestiu uma camiseta vermelha - sua cor favorita - um short quadriculado laranja e um coturno de couro preto.
  Chegando no letreiro, Michelle avistou a única amiga que teve em toda sua vida. Que, por acaso, teve que abandonar aos 13 anos quando se mudou para Hollywood.
- Meredith! - gritou. 
  A morena abençoada com lindos olhos azuis se virou imediatamente e correu em direção a melhor amiga, ignorando sua mãe gritando atrás de si. Se jogou em um abraço.
- Faz muito tempo! - Meredith sorriu. - Deveria ter me ligado. Senti saudades.
- Você está mais bonita, Mel. - observou - Olha só, tirou o aparelho.
  Meredith revirou os olhos.
- Não me lembre disso! - disse. - É meio óbvio. 
- E desenvolveu mais sua grosseria aguda. - disse Michelle.
  O pai de Michelle se aproximou.
- Brigando, já? -  se virou para Meredith, - Viu Angellica?
- Ela está lá. - apontou para a mulher atrás dela.
  Charles se aproximou da mãe da morena.
  Se encararam. Sem dizer nenhuma palavra, se aproximaram sorrateiramente para ouvir a conversa de seus pais.
- Devemos mandá-las para o Acampamento urgentemente - começou Charles. - É o único lugar seguro para garotas como elas. Sabe que o mundo mortal se tornará mais perigoso a cada dia para os poderes que elas terão.
- Não, Charles! - Angellica gritou. - O melhor lugar para minha Mel é ao meu lado. Eu a protegerei. 
- Angellica, sei que quer proteger sua filha. Eu também quero proteger minha Chelle, mas não posso negar a proteção daquele lugar. O pior de tudo é que sei que as duas não precisarão de proteção se desenvolverem suas habilidades... Sendo filhas de quem são... - deixou vago no ar. - Enfim, campistas estão vindo buscá-las.
- Minha Mel sempre será uma garotinha. O pai dela nada tem haver com a segurança dela. - Angellica suspirou. - Se é assim, é melhor irem juntas.
- Você e Meredith podem ficar na minha casa enquanto os campistas não chegam.
- Obrigada, Charles.
- Vamos, então! - assobiou e em um segundo as meninas estavam em sua frente.
A cara de Meredith não era uma das melhores. Michelle tentava entender isso e mais um milhão de coisas.
- Querida, hoje sua amiga ficará conosco em casa!
- Ótimo! - elas bateram as mãos em um high-five
- Vamos?
- Vamos! - disseram as duas
  Quando chegaram, as duas adolescentes dispararam em direção do quarto de Michelle.
- O que será que eles quiseram dizer com acampamento? Não imagino que nos mandem fazer nado sincronizado com urgência. 
- Quiseram dizer que vamos para um acampamento - disse Michelle levemente irritada.
- Sutil. - Meredith disse sarcástica. - Acho que simplesmente cansaram da nossa...
  Ela foi interrompida por Nancy, a governanta, que sem bater na porta se intrometeu na conversa.
 - Senhora Overcast e Astrapi, estão chamando vocês na sala de estar. - disse olhando para as meninas com cara de irritação. 
E logo depois foi embora.
- Ela é sempre tão gentil? - perguntou Meredith com ironia.
- Sim. Temos que arrumar as malas. Tenho uma vermelha e outra azul bem ali atrás do armário. Poderia me ajudar.
- Não preciso de malas, tenho as suas roupas para roubar. 
- Pare de palhaçada e venha me ajudar. - resmungou. - Aliás, o que significa seu sobrenome?
A morena colocou os pares de roupa na mala da amiga e a encarou com os olhos frustrados.
- Não sei.
  Com as malas prontas, as duas desceram e se sentaram em um divã.
- Meredith, converse com sua mãe aqui na sala enquanto eu e Michelle conversamos no porão.
- Ok- falou Michelle.
  Foram para o porão. Ao chegarem, Michelle se deparou com uma bacia no chão.
- Pai, que diabos é isso?
- Querida, nós temos que conversar. Bem, acho que já está na hora de você saber. Eu e você somos de uma grande linhagem de feiticeiros, eu mesmo era um. Então, um dia desses eu estava fazendo uma poção do amor, de noite, no meio do jardim, e sua mãe apareceu, eu me assustei e lancei a poção nela, e então toda noite ela aparecia pra mim, e aí você veio ao mundo, e agora você e sua amiga vão para um lugar seguro. Antes de você ir eu queria te entregar isso. - e tirou de um caixote uma grande mochila preta e botou nas costas de Michelle. - Você saberá o que fazer com ela quando chegar a hora. Agora vá.
  Michelle subiu as escadas confusa, até que ouviu uma pequena explosão atrás de si. Se virou e viu uma mulher. Parecia jovem, mas, de vez em quando sua imagem tremeluzia e mais duas cabeças apareciam. Fora isso, era bem bonita: tinha longos cabelos negros aveludados e olhos dourados, como os seus.
- Não lhe proíbo de se assustar. - a mulher disse tranquilamente.
- Eu não me assusto tão facilmente. - disse Michelle friamente
- Eu acredito - ela disse quase formando um sorriso. - Mas, não precisa ser assim. Só vim lhe pedir que não perca a fé em si mesma.
  Ao chegar na sala viu três garotos. Um, que parecia um elfo latino, estava olhando para ela. Outro, de cabelos loiros e blusa roxa, estava conversando com Angellica, que chorava. E, outro, de cabelos dourados e jaqueta de couro, que tentava manter uma conversa com Meredith, que socava as suas pernas.
  O elfo se levantou.
- Acho melhor irmos. Afinal, cinco chamam mais atenção que três. É isso, adiós!
  Ele se levantou e foi em direção a porta. Todos o seguiram. Foram em direção a MacArthur Park.
- É sério que vamos até a costa Leste andando? - reclamou Meredith.
- Não se preocupe. Vamos voltar no Argos II. - falou o cara da blusa roxa.
- Genial. - Meredith reclamou novamente.
- Confie em mim. - disse o blusa roxa.
  Michelle não conseguiu prosseguir.
- Não os seguirei! Nem sei seus nomes!
  O elfo se empertigou.
- Bem, eu sou o Leo Valdez. Aquele- apontou para o blusa roxa, - é o Jason Grace. E, o loiro anti social - apontou para o cara da jaqueta de couro. - é o Eric Houser. 
  Leo olhou em volta e seu sorriso sumiu.
- É melhor irmos. 

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