domingo, 29 de dezembro de 2013

Capítulo 2 - Uma conversa particular

Capítulo 2 - Uma conversa particular.


Coloque para tocar: Demons - Imagine Dragons



MICHELLE





- Por que temos que correr tanto? - bufou Michelle.

  Leo, aparentemente, se divertiu com a pergunta.
- Quer virar burrito para um monstro? - ele perguntou um tanto brincalhão.
  Michelle revirou os olhos, afinal, detestava ser contrariada.
  Foram entrando cada vez mais no parque e Michelle percebeu que Meredith estava se sentindo incomodada. Ela bufou e se apoiou nos joelhos.
- Podemos descansar? - Meredith perguntou secando uma gota de suor.
- Mal começamos a andar. - Jason disse alto.
- Fica a cada minuto pior. - ela disse e voltou a postura correta.
  Logo após retomar a postura, uns 10 cachorros de pelo negro, olhos vermelhos e dentes perturbadoramente pontudos os cercaram.
 Michelle tinha uma vaga lembrança daqueles animais. Eram cães infernais, ela sabia. E também sabia que eram muito perigosos. Atrás dos animais, um homem alto, de cabelos escuros e apenas um olho batia palmas.
- Michelle, pelo visto tem colegas agora. - ele riu sarcástico.
- Quem é você? - perguntou Jason segurando uma espada.
- Ela sabe quem sou. - o monstro apontou para Michelle.
- Você o conhece? - Leo perguntou enquanto produzia bolas de fogo com as mãos.
- Infelizmente eu sei. - suspirou. - É o Dylan, meu insuportável professor de educação física.
- Uma vez ignorante sempre ignorante. - Dylan respondeu
  Daylan, o professor/ciclope ordenou que os animais atacassem. Qualquer tentativa de luta seria inútil. Porém, Michelle não estava mais relutando a deixar a voz aveludada em sua cabeça dar ideias. Estalar os dedos e fazer os cães fugirem parecia muito convidativo.
  Em um impulso começou a andar, com passos que foram adquirindo firmeza, um de cada vez. Seu olhos se tornaram um tom de dourado colérico. 
- Ataquem, bestas infernais! - Michelle berrou como se tivesse duas vozes. - Ataquem a criatura profana que ousou desobedecer a lei de sua Rainha! Ataquem, já!
- O que você está fazendo?! Saia daí! - gritou alguém que Michelle não pode distinguir a voz.
- O que esperam? Ataquem o traidor profano! - berrou ainda com duas vozes. - E, depois que terminarem o serviço, se destruam!
De fato como cachorrinhos assustados eles atacaram o ciclope um por um. Depois de terem a certeza de que estava morto se destruíram também. Dylan e seus bichinhos de estimação não seriam mais um problema, com certeza. Quando conseguiu voltar a si mesma sentiu-se como se estivesse saindo de um transe. Ao seu redor, as pessoas que a acompanhavam a encaravam assustadas.
- Por que me olham assim? - perguntou simplesmente.
- Apenas assassinato em massa. - Meredith deu de ombros e puxou a amiga pela mão. - Vamos, então?
- A animação para andar chegou tão rápido, não é? - perguntou aquele que ainda não havia se pronunciado, Eric.
- Isso não é da sua conta. - Meredith sorriu sarcástica e Eric riu.
  Os cinco tornaram a caminhar por entre a mata até se depararem com um navio. Sim, um navio. Embora a situação fosse um tanto estranha todos simplesmente entraram no tal navio e foram comer. Ao chegar no convés, Leo a chamou.
- Podemos conversar? - ele perguntou.
- Creio que sim, afinal, tenho muitas perguntas. E você irá respondê-las.
- Não cabe a mim dar respostas. - ele riu escandaloso. - Exija suas respostas dele. - apontou para outro menino.
Ele tinha uma aparência um tanto peculiar, mas, o que mais chamava a atenção eram suas olheiras.
-Olá. Me chamo Nico di Angelo. - estendeu a mão. 
- Me chamo Michelle Overcast. - Michelle não apertou a sua mão.
Ela não apertou a sua mão e não sabia porquê. Talvez porque não o conhecesse, ou, talvez, porque sentisse que ele era algum tipo de ameaça.
- Acredito que precisamos ter uma conversa. 
Ele se sentou num banco do refeitório e a chamou com gestos para sentar ao seu lado. Assim ela o fez.
 - Tenho algumas perguntas... 
- Nem pensar! Já me negaram respostas demais por hoje!
  Nico suspirou.
- Tudo bem. Quais são as suas perguntas?
- Por que tiraram eu e a minha amiga de nossas casas? Para onde estão nos levando?
- Tiramos vocês de suas casas porque não é seguro que fiquem nelas. Digamos que vocês não sejam normais como os outros humanos... Precisam ser treinadas para controlar os poderes que podem desenvolver e aprender a viver em sociedade. Para que isso tudo aconteça é necessário que as duas vão para o Acampamento Meio-Sangue, o único lugar seguro para alguém como vocês que tenha o mínimo de juízo possível. - disse tudo de uma vez. - Creio que respondi todas as suas perguntas. 
- Na verdade eu ainda tenho uma pergunta. Os monstros que vi, já aprendi sobre eles nas aulas de história. Por que eles apareceram para nós?
- Acho que conhece o mito dos deuses gregos, correto?
- Sim.
- Sua história não é um mito. Eles realmente existem e as vezes descem na Terra e tem filhos com os mortais, são os chamados meio-sangues ou semideuses. Eu, você e todos os outros neste barco somos semideuses. Assim como os deuses gregos, os monstros que viu são reais. 
- Ah. - deixou vago no ar e limpou a garganta. - Eu sou filha de qual deus?
- Eu não sei. É isso que estamos tentando descobrir. 
- Você é filho de Hades! - ela sorriu. - Um dos três grandes! Isso é muito... Louco.
  Nico ficou paralizado.
- Como sabe disso? - ele perguntou.
- Eu acho que li seu pensamento. - olhou nos olhos de Nico. - Esse tal de Percy Jackson parece ser realmente um babaca. Deixou sua irmã morrer e ainda pediu por compreensão. Aposto que se fosse a irmã dele no lugar da sua não haveria compreensão.
  Foi a gota d'água para Nico. Ele se levantou sem esperar uma resposta e foi em direção a uma sombra. Michelle, teimosa, o seguiu. No momento em que tocou o ombro de Nico, um breu envolveu seus olhos por um instante e o barco desapareceu. Quando sua visão retornou ela se viu na frente de Nico, em um galpão abandonado.
- Me explique que ser era aquele nas ruínas com Jason! - ela falou.
Nico virou a cabeça para não encarar Michelle. 
- N-não sei do que está falando. - ele gaguejou.
- É claro que sabe! Eu vi em suas memórias! - ela falou alto.
- Me deixe em paz! - sacou uma espada negra. - Eu não quero lutar com você!
- Eu não tenho medo. - disse ela destemida.
  Ela olhou para os lados, não por nervosismo, apenas por lamentar o TDH. Atrás de umas tábuas de madeira algo cintilava. Caminhou até as ruínas e encontrou uma espada. A sacou sem hesitação.
- Acho que tenho uma arma agora.
  Nico avançou até um ponto de quase acertá-la. Ela olhou para o lado e seus olhos atingiam o tom de dourado colérico como mais cedo. Ela murmurava um grego muito antigo que Nico não conseguiu compreender. Sempre que avançava, Nico era impedido por uma barreira de fogo que surgia do nada. Na quinta tentativa, Michelle murmurou outra palavra, sumindo da mesma forma que a espada de Nico: em uma questão de milésimos. Nico tentava raciocinar, mas foi impossibilitado de concluir seus pensamentos quando sentiu duas lâminas encostarem em seu corpo. Uma no começo de sua coluna e a outra em seu pescoço. Engoliu a seco, sentindo a lâmina o fazer cócegas.
- Fale se der valor ao seu pescoço. - apertou mais as espadas. - E a sua vida.
- Tudo bem! Só... Abaixe essas coisas. Vamos conversar. - ela abaixou as espadas e o deixou sair.
Nico se sentou, respirou fundo e começou a falar.
- Naquele dia eu e Jason fomos ao palácio de Diocleciano para pegar o cetro de Diocleciano, obviamente. Lá, encontramos o Cupido, ser hediondo que me obrigou a admitir meus sentimentos por... - não terminou a frase.
- Percy Jackson? 
- Queria poder viajar na sombra e te deixar mofando por aqui. Mas, como sempre, não posso. 
- Por quê? - Michelle perguntou.
- Dois motivos. Número um: recebi um aviso de meu pai que uma semideusa nova iria me ajudar e por isso deveria voltar ao Acampamento Meio-Sangue. Atualmente, estou procurando semideuses direto e isso está acabando com as minhas forças. - deu de ombros. - Número dois: viajar na sombra cansa muito.
- Isso quer dizer que mantem conversas com seu pai? - ela perguntou sendo sonsa.
-Sim. Vivo no reino de meu pai e as vezes subo para a superfície.
Nico olhou para Michelle, confuso.
- Por que me olha desse jeito? - perguntou alto.
- É curioso. 
- O que é curioso?
- Posso te perguntar uma coisa?
- Pode.
- Me diga do nome de uma fossa, dois rios e dois campos que fazem parte do Mundo Inferior?
- Claro! Tártaro, Rio Estige, Rio Flegetonte, Elísio e Asfódelos.
- Você por acaso já leu algum livro sobre mitologia grega?
- Não. Tenho cara de quem lê?
- Definitivamente não.
- Agora fala que eu tenho cara de burra! - fingiu ofensa.
  Nico entrou em uma crise de risos e em poucos segundos Michelle também. Após um tempinho rindo Nico endireitou a coluna e se centrou no assunto.
- Tire uma dúvida minha. Fale o nome de todos os rios do Mundo Inferior. 
- Certo...
- Comece!
- Rio Estige, rio da invulnerabilidade. Rio Aqueronte, rio do infortúnio. Rio Cócito, rio das lamentações. Rio Flagetonte, rio da cura. Rio Lete, rio do esquecimento.
- Jura que nunca leu um livro sobre mitologia grega?
- Tenho dislexia. As palavras saltam das páginas.
- Isso é natural. A maioria dos meio-sangues tem dislexia.
  Michelle concordou com a cabeça pois não havia mais nada a ser dito.
- Acho que resolvi meu problema. - Nico disse expressando um traço de felicidade.
- Que?
- Acho que você é a meio-sangue que meu pai falou!
- Que divertido. Um deus resolveu que eu devo ajudar o garoto que tentou me matar.
  Nico sorriu.
- Nunca pensei que essas palavras sairiam da minha boca, mas, Michelle Overcast, eu a considero uma amiga.
- Para quem tentou me matar há alguns segundos sua opinião mudou bem rápido.
- Me dou bem com os filhos das trevas.
- Como assim?
- Não direi mais nada pois não posso ter certeza de nada.
  Michelle olhou em volta sentindo repulsa. Odiou aquele lugar inóspito.
- Podemos ir embora?
- Com todo prazer.
  Nico estava constrangido e Michelle pode perceber isso apenas o encarando.
- Segure minha mão. - ele disse
- Por que eu deveria? - ela perguntou desconfiada.
- Precisamos voltar ao Argo II. - disse como se fosse óbvio. - E, pelo amor dos deuses, concentre-se em voltar para o barco.
- Certo. - segurou a mão dele e um frio se apoderou de sua espinha.
- Pronta? - ele perguntou desafiador.
Como se quisesse sabe se ela confiava nele.
- Eu nasci pronta! - riu. - Vamos logo, Rei Fantasma.
- Pare de ler a minha mente! - ele disse indignado
  Nico olhou para as sombras e caminhou em sua direção, seguido por Michelle. As atravessou e ela se viu novamente no convés. Numa fração de segundo Nico soltou sua mão e correu em direção ao mastro.
  Michelle olhou em volta e entrou na cabine do capitão. Leo dirigia o barco. Não precisava ler mentes para saber o que ele estava pensando.
- Nem ouse pensar nisso, Valdez. Nada aconteceu na viagem na sombra.
- Eu? - olhou em volta. - É impossível não pensar que algo aconteceu. - riu nervoso.
- Apenas não pense besteiras. - disse repreensiva e se retitou
  Já estava de noite e Michelle ainda não tinha um quarto. Odiou o quarto que Jason havia a oferecido e todos os outros do Argo II. Em um segundo, teve uma ideia ótima que a levou a caminhar em direção ao mastro.
- Nico, troque de lugar comigo! Durma no meu quarto que eu durmo no mastro!
- Não!
- Nico, se esforce e troque de lugar comigo!
- Você sofre de surdez? Não, Michelle! Vá para o seu quarto e durma!
- Nico! Por favor! - pronunciou algo que quase nunca dizia. "Por favor".
- Me obrigue, então. - debochou.
- Ah, é? - levantou as mãos.
 Levitou Nico, que se debatia no ar, para fora do mastro e o trancou no quarto que fora dela. Se dirigiu até o mastro. Deitou-se e suspirou. Aquele era seu lugar, debaixo das estrelas. Entretanto, a noite estava muito... Calma. Isso a incomodava. Com o tempo, se deixou levar pelo doutor sono.
  Teve pesadelos, como sempre tinha, mas aquele que teve naquela noite foi especialmente tenebroso.
  Estava perdida em uma nevasca no topo de uma montanha. Apesar do frio, usava regata e shorts, rasgados. Ela olhava para o céu que parecia se aproximar e olhava para as estrelas que se moviam descontroladamente. 
- Tão fraca. Vai ser divertido, eu garanto, Cria dos Deuses. - riu um ser invisível que soava sonolento, poderoso e primitivo. - Eu prometo que você e seus colegas testemunharam o ser mais poderoso do Universo. Deveria manter segredo, mas não quero, e sou eu quem dita as regras de agora em diante.
As estrelas se moveram novamente até formarem um funil que a envolveu.
  Ela estava em Nova York. Acompanhada. Acompanhada por um homem alto, de pele azul acinzentada que parecia insubstancial, cabelos curtos e escuros, barba aparada e usava um terno azul escuro de linho. Seus olhos estavam fechados. Tinha feições bonitas na medida do possível. Ele sorria de lado. 
- Em breve tudo o que vê pertencerá a mim. - disse orgulhoso.
- Se é assim não deveria contar seus planos para uma estranha.
- Não seja tola! - ele riu. - Eu sou invencível! Vamos agora observar meus futuros domínios. Se sinta honrada, menina, pois vai me ajudar a conseguir de volta o que perdi há anos. Se for dominante de inteligência saberá o que é melhor para seus amigos e para você também. Faça-os virem para o lado vencedor e não sofrerão consequências tão grandes.
- Não estou do seu lado! - ela gritou.
- Terá bastante tempo para rever seus conceitos. - continuou sorrindo. - Agora, vamos aos meus domínios.
  Um estrondo rasgou o ar e com ele veio uma enorme cratera no meio da avenida. Ela sugava tudo para dentro dela.
- Caos. - ela murmurou para si mesma, hipnotizada.
 Sentiu uma incontrolável vontade de se jogar dentro do abismo. Olhou ao seu redor e viu um exército lutando contra Leo, Nico, Meredith, Eric e Jason. Sentiu um nó na garganta ao ver seus amigos morrerem. 
- Você pode mudar o que vê! - disse o homem de terno azul. - Se não escolher o lado correto esse será o futuro que terão seus amigos. Pense sobre isso. Você escolhe seu próprio destino. - e sumiu novamente.
 Ele precisa parar de sumir o tempo todo, Michelle pensou. Parou de andar em direção ao caos, que sugava tudo ao redor, inclusive ela. Com uma inacreditável força de vontade, se jogou atrás de um muro e se deitou. Não pode deixar de pensar: Que forma ridícula de morrer. O muro logo se desfez e em pouco tempo não havia sobrado nada dele. O caos a puxava, mas o querer ficar ali a manteve fixa no chão, que se desfez. Após um tempo não havia mais nada a não ser ela própria e um vazio infinito. Ela se assustou um pouco ao notar que flutuava e respirava grãos de areia.
- Aproxime-se já, garota! - o homem de terno azul gritou e ela obedeceu. - Vejo que sobreviveu.
- Quase fui engolida pelo Caos! - berrou furiosa.
- Exatamente: quase. Isso mostra que é mais forte do que se esperava. Não tenho mais tempo para conversas esclarecedoras, mas, acredite, garota: voltaremos a nos ver.
E sumiu novamente, a deixando no vazio.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Capítulo 1 - Descobertas nem tão agradáveis

Fire


Sinopse:


  Michelle Overcast é uma garota problemática. Entretanto, sempre teve tudo o que quis. Mas, agora, ela terá que lidar com todos os desafios de ser uma semideusa. Logo após de ser reclamada, coisas terríveis começam a acontecer com ela e com as pessoas ao seu redor. A situação se complica quando Michelle se alia ao inimigo, que está cada vez mais forte, traindo sua "família". Em Fire, Acampamento Meio-Sangue e Acampamento Júpiter se aliam contra uma ameaça enorme, e isso os levará a aprender que jamais se deve subestimar os filhos de deuses menores. 


"Oh, you know, I saw a city burning. 
Fire. 
Feel the heat upon my skin. 
Fire."

Capítulo 1 - Descobertas nem tão agradáveis


Coloquem para tocar: Walk - Foo Fighters

MICHELLE

 Após uma manhã com discussões, detenção, reencontros e despedidas, Michelle deveria estar louca. Mas, decidiu, apenas, aceitar a verdade.
  Ela soube desde o momento em que decidiu que não iria fazer a aula de educação física que estava encrencada. 
  E, por um infortúnio, o professor Dylan notou essa decisão.
- Overcast, você é obrigada a fazer a aula se quiser ter seus...
  Ela o interrompeu.
- Dylan, você sabe que não pode me obrigar a fazer a sua patética aula. Eu sou incapaz de fazer o que eu não quero, entendeu? Pelo seu bem, devolva meu celular e podemos deixar passar a sua obsessão com uma pobre ruiva com TDH. Temos um acordo?
  Dylan ficou sem palavras. Ele era muito bom nisso. 
- Michelle Overcast, você está perdendo a razão. - resmungou. - Não que a tivesse antes. 
  Michelle encarou o chão, revirando os olhos ao mesmo tempo.
- Você é louco. - murmurou.
- O que disse, encrenqueira? Me ofender obviamente ajuda você a expressar seus sentimentos reprimidos. 
  Ela se segurava para não explodir de raiva. 
- Espere, me ajuda?! Só se for para ficar com hematomas espalhados pelo rosto! E advinha de quem é a culpa? Do nosso querido professor e suas adoráveis partidas de queimada! Caso você seja surdo, eu disse que você é LOUCO! - ela gritou
  E, de repente, todos pararam o que estavam fazendo para assistir a discussão. 
- Overcast, saia da minha quadra. AGORA! - Dylan disse tentando assumir o controle da situação
- Ah, muito bem! - ela sorriu em orgulho e se dirigiu a saída 
Porém, antes que pudesse sair, o professor pegou seu braço.
- Aonde pensa que vai? - o professor perguntou com um sorriso no canto da boca.
Eca.
- Para a arquibancada. - disse com obviedade. - Se esqueceu que me expulsou da quadra? - perguntou com deboche
- Eu de fato a expulsei. - ele disse calmo. - Mas o que eu quis dizer é: vá para a direção. E não: fique e observe seus colegas jogarem. 
- Primeiro, eu não ia observar eles jogando. Eu ia torcer para o time menos pior. Segundo, eles- ela disse apontando para o grupo de alunos. - Não são meus colegas. Terceiro, você não pode fazer isso. 
- Overcast, eu tanto posso quanto fiz. - ele riu. - Vá logo antes que você se ferre mais. 
- Sabe que é injustiça! - ela gritou em fúria.
- A vida é injusta. - o professor disse em sussurro
  Detestava ficar sem palavras. Detestava ir para o diretor e escutar seu sermão idiota sobre coisas que não fariam a mínima diferença em sua vida. E, por acaso, era isso que estava acontecendo naquele momento infeliz. 
- Ora, Michelle. Oitava vez em uma semana. - o diretor alisou o bigode. - Estou impressionado.
- Que tenho haver com isso? 
- Sua postura com o professor Dylan foram terrivelmente erradas. Sabe-se que ele é um dos professores mais qualificados do internato...
Foi interrompido. 
- Tenho certeza de que se eu não fosse problemática não estaria nesse inferno.
Ácida.
- Não deveria ter dito isso, mocinha!
- Me deixe em paz!
- Detenção, JÁ! 
  E dessa forma, foi para a detenção, de novo. A sala não tinha ar condicionado, o que tornava a temperatura desagradável, a sala fedia a queijo podre e ela ficou lá durante quatro horas.  Assim que saiu, a garota se deparou com um homem com as mãos na cabeça, seu pai, ela reconheceu. Ele não estava com a aparência de alguém que tinha ganhado um prêmio de melhor ator, o que era verdade. Se aproximou em silêncio pois não queria que a atenção de seu pai se voltasse para ela.
- Por que você disse aquelas coisas para seu professor e para o diretor?
- O professor estava tentando me fazer jogar. O diretor estava enchendo a minha paciência. Você sabe que eu não gosto dessas coisas! Ah, sim! Você não sabe, afinal, você nunca sabe. E eu sei porquê: me jogou num internato porque estava ocupado demais trabalhando em seu filme para dar atenção para a filha!
- Não precisa de lembrar-me disso, Michelle. - ele disse a repreendendo. - Vamos para casa. - ele disse autoritário, deixando claro que o assunto estava encerrado.
  Ela queria continuar a discutir, mas não queria discutir com seu pai.
  No carro de seu pai, este continuava a evitar a conversa, mas logo esse silêncio foi quebrado pela voz do mesmo.
- Minha querida, pensei em darmos um passeio hoje em Hollywood. Tudo bem para você?
- Gostei da ideia do passeio - admitiu Michelle. - Mas, vamos para onde?
- Que tal o letreiro?
- De acordo.
  O pai estendeu a mão e a filha apertou calorosamente. O trajeto seguiu-se em silencio.
  Ao chegar, Michelle se sentiu surpresa com a linda mansão que deliciava seus olhos.
- Deve ser impressão minha - começou. - Mas eu tenho certeza que esse lugar fica a cada ano mais maravilhoso.
- Isso depende muito do seu referencial, querida.
- Pai, você é esquisito. 
- Sei disso. Escuto muito essas palavras.
  E assim ambos explodiram em gargalhadas.
  Pararam o carro e entregaram-no para um chofer, que o estacionou em algum lugar da enorme garagem. E, juntos, pai e filha entraram em casa.
  Feche os olhos e imagine uma casa com 18 quartos, uma sala de jantar decorada com uma linda cascata artificial, 15 banheiros de luxo, uma piscina de água aquecida no subsolo, duas piscinas no meio do jardim - uma com água normal e outra com água salgada - , um jardim do tamanho de um campo de futebol americano com todos os tipos de flores tropicais que se pode catalogar, no centro do jardim um grande lago particular, repleto de cisnes. E, perto do lago, há uma cachoeira. E, além dessas maravilhas, existir muito mais. Desse jeito era a casa de Charles Overcast e sua filha Michelle.
  Michelle se apressou para entrar em seu quarto, que por acaso era o espaçoso sótão, e se surpreendeu. Seu quarto estava exatamente como o deixou, há um ano atrás, antes de ir para a Academia para Crianças e Adolescentes Difíceis - mais conhecida como ACAD - , exceto por uma coisa: sua escrivaninha. Estava repleta de flores de maio azuis, suas favoritas. Depois de admirá-las, desceu e foi comer.
  Depois de comer foi para seu quarto e trocou de roupa. Vestiu uma camiseta vermelha - sua cor favorita - um short quadriculado laranja e um coturno de couro preto.
  Chegando no letreiro, Michelle avistou a única amiga que teve em toda sua vida. Que, por acaso, teve que abandonar aos 13 anos quando se mudou para Hollywood.
- Meredith! - gritou. 
  A morena abençoada com lindos olhos azuis se virou imediatamente e correu em direção a melhor amiga, ignorando sua mãe gritando atrás de si. Se jogou em um abraço.
- Faz muito tempo! - Meredith sorriu. - Deveria ter me ligado. Senti saudades.
- Você está mais bonita, Mel. - observou - Olha só, tirou o aparelho.
  Meredith revirou os olhos.
- Não me lembre disso! - disse. - É meio óbvio. 
- E desenvolveu mais sua grosseria aguda. - disse Michelle.
  O pai de Michelle se aproximou.
- Brigando, já? -  se virou para Meredith, - Viu Angellica?
- Ela está lá. - apontou para a mulher atrás dela.
  Charles se aproximou da mãe da morena.
  Se encararam. Sem dizer nenhuma palavra, se aproximaram sorrateiramente para ouvir a conversa de seus pais.
- Devemos mandá-las para o Acampamento urgentemente - começou Charles. - É o único lugar seguro para garotas como elas. Sabe que o mundo mortal se tornará mais perigoso a cada dia para os poderes que elas terão.
- Não, Charles! - Angellica gritou. - O melhor lugar para minha Mel é ao meu lado. Eu a protegerei. 
- Angellica, sei que quer proteger sua filha. Eu também quero proteger minha Chelle, mas não posso negar a proteção daquele lugar. O pior de tudo é que sei que as duas não precisarão de proteção se desenvolverem suas habilidades... Sendo filhas de quem são... - deixou vago no ar. - Enfim, campistas estão vindo buscá-las.
- Minha Mel sempre será uma garotinha. O pai dela nada tem haver com a segurança dela. - Angellica suspirou. - Se é assim, é melhor irem juntas.
- Você e Meredith podem ficar na minha casa enquanto os campistas não chegam.
- Obrigada, Charles.
- Vamos, então! - assobiou e em um segundo as meninas estavam em sua frente.
A cara de Meredith não era uma das melhores. Michelle tentava entender isso e mais um milhão de coisas.
- Querida, hoje sua amiga ficará conosco em casa!
- Ótimo! - elas bateram as mãos em um high-five
- Vamos?
- Vamos! - disseram as duas
  Quando chegaram, as duas adolescentes dispararam em direção do quarto de Michelle.
- O que será que eles quiseram dizer com acampamento? Não imagino que nos mandem fazer nado sincronizado com urgência. 
- Quiseram dizer que vamos para um acampamento - disse Michelle levemente irritada.
- Sutil. - Meredith disse sarcástica. - Acho que simplesmente cansaram da nossa...
  Ela foi interrompida por Nancy, a governanta, que sem bater na porta se intrometeu na conversa.
 - Senhora Overcast e Astrapi, estão chamando vocês na sala de estar. - disse olhando para as meninas com cara de irritação. 
E logo depois foi embora.
- Ela é sempre tão gentil? - perguntou Meredith com ironia.
- Sim. Temos que arrumar as malas. Tenho uma vermelha e outra azul bem ali atrás do armário. Poderia me ajudar.
- Não preciso de malas, tenho as suas roupas para roubar. 
- Pare de palhaçada e venha me ajudar. - resmungou. - Aliás, o que significa seu sobrenome?
A morena colocou os pares de roupa na mala da amiga e a encarou com os olhos frustrados.
- Não sei.
  Com as malas prontas, as duas desceram e se sentaram em um divã.
- Meredith, converse com sua mãe aqui na sala enquanto eu e Michelle conversamos no porão.
- Ok- falou Michelle.
  Foram para o porão. Ao chegarem, Michelle se deparou com uma bacia no chão.
- Pai, que diabos é isso?
- Querida, nós temos que conversar. Bem, acho que já está na hora de você saber. Eu e você somos de uma grande linhagem de feiticeiros, eu mesmo era um. Então, um dia desses eu estava fazendo uma poção do amor, de noite, no meio do jardim, e sua mãe apareceu, eu me assustei e lancei a poção nela, e então toda noite ela aparecia pra mim, e aí você veio ao mundo, e agora você e sua amiga vão para um lugar seguro. Antes de você ir eu queria te entregar isso. - e tirou de um caixote uma grande mochila preta e botou nas costas de Michelle. - Você saberá o que fazer com ela quando chegar a hora. Agora vá.
  Michelle subiu as escadas confusa, até que ouviu uma pequena explosão atrás de si. Se virou e viu uma mulher. Parecia jovem, mas, de vez em quando sua imagem tremeluzia e mais duas cabeças apareciam. Fora isso, era bem bonita: tinha longos cabelos negros aveludados e olhos dourados, como os seus.
- Não lhe proíbo de se assustar. - a mulher disse tranquilamente.
- Eu não me assusto tão facilmente. - disse Michelle friamente
- Eu acredito - ela disse quase formando um sorriso. - Mas, não precisa ser assim. Só vim lhe pedir que não perca a fé em si mesma.
  Ao chegar na sala viu três garotos. Um, que parecia um elfo latino, estava olhando para ela. Outro, de cabelos loiros e blusa roxa, estava conversando com Angellica, que chorava. E, outro, de cabelos dourados e jaqueta de couro, que tentava manter uma conversa com Meredith, que socava as suas pernas.
  O elfo se levantou.
- Acho melhor irmos. Afinal, cinco chamam mais atenção que três. É isso, adiós!
  Ele se levantou e foi em direção a porta. Todos o seguiram. Foram em direção a MacArthur Park.
- É sério que vamos até a costa Leste andando? - reclamou Meredith.
- Não se preocupe. Vamos voltar no Argos II. - falou o cara da blusa roxa.
- Genial. - Meredith reclamou novamente.
- Confie em mim. - disse o blusa roxa.
  Michelle não conseguiu prosseguir.
- Não os seguirei! Nem sei seus nomes!
  O elfo se empertigou.
- Bem, eu sou o Leo Valdez. Aquele- apontou para o blusa roxa, - é o Jason Grace. E, o loiro anti social - apontou para o cara da jaqueta de couro. - é o Eric Houser. 
  Leo olhou em volta e seu sorriso sumiu.
- É melhor irmos. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Oi Gente bem-vindo ao meu novo blog, antes de começar tenho uns avisos:

- Este blog é sobre historias sobre o acampamento meio-sangue que eu invento.
- Eu posso postar poemas também.
- É proibido o uso de palavrões.